Sonho.
Quando te tive,
Tive a mim também.
Tive de me conter.
Não contei pra ninguém.
Não falei, não vivi.
Mas me dividi em partes desiguais
Para compartilhar dos segredos da tua alma.
Não tive ânimo pra sorrir,
Pra falar das leis que me algemaram a ti.
Fiquei perplexo com a irrealidade material do meu sonho.
(Sonho - esse pedaço de tempo imutável,
Onde em nenhum momento nosso arbítrio é livre).
Também te dividi em partes distantes,
Na intenção de absorver, na totalidade, a sua beleza.
Hoje não és mais sonho, nem realidade.
És sombra - essa extensão abstrata do conteúdo do teu ser.
Djalma Aquino.
Itu/SP, Agosto 1999.
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