segunda-feira, 20 de abril de 2015

Espairecer

Espairecer.


Espairecer: velar-se em veemência,
Vibrar, soltar-se, achar-se em guarida;
Encontrar-se  consigo em sua vida
Se da sua vida escapou-lhe a essência.

Verter-se em mares de leves ardências,
De aproximação e despedida...
No esperançar-se de uma combalida
E fugaz marca na inconsciência.

Absorver-se...observar-se...e em nada
E em tudo avaliar o que  era antes...
E em tudo descobrir-se! Em tudo e em nada!

Espairecer-se em cores, tons e em cada
Minúsculo espaço entre os instantes,
Em cada instante da vida que é dada.



Djalma aquino
Salto - SP, Abril 2015.





domingo, 19 de abril de 2015

Saudades de Érika (se a saudade apertar)

Saudades de Érika (se a saudade apertar)


Se a saudade apertar, faz um riso, 
um sorriso, um presente impreciso
 e distante e arremessa ao inconsciente. 
Uma carta ao amado,
 um quadrado redondo
 e uma pilha de dados. 
Faz um milagre inconstante. 
Faz o sol nascer no poente. 
Faz um sim e um não, faz um sinal. 
Faz um abraço de alma imortal. 
Planta um pé de escassez. 
Faz um az e aposta na paz.
Ganhe um dez
No final.



Djalma Aquino
Itu  SP - Abril 2015

Ao Chato

Ao Chato


Ingurgitamento ao  Gânglio Linfático:
Reservo este simples apelido
Ao ser mais chato que há de ter nascido
Que carrega consigo esse ar lunático.

Ele se empolga com o "expressar-se" enfático
Que em treinos exaustivos foi obtido.
Projeto de gillette convertido
Naquele que em massada é catedrático.

Sem ser mal intencionado, esse animal
Excede-se na  dose de alto astral,
Tornando-se, as vezes, leviano.

Por isso, aos mais normais faço justiça:
Pra não fazer ofensas  à carniça,
Promovo-lhe a piolho pubiano.


Djalma Aquino.

Marília SP - Março 2001


Engano dos Sentidos

Engano dos Sentidos


Como o vento que os quatro cantos rondam,
Eu quis  também rondar os quatro cantos:
É a liberdade em busca de encantos
Outros, que por ventura, lá se escondam.

As emoções se contradizem. Estrondam
As frustrações de liberdade. E tantos
Sinais felizes se fizeram prantos...
Hoje são desencantos que me sondam.

Eu quis e pude. Foi vento esta vida
Sem graça. a lembrança adormecida,
Hoje repousa sem valor algum.

Ser livre e ser sozinho é falsa festa:
Dos amores que tive nada resta
E não pertenço a coração nenhum.


Djalma Aquino
Taquaritinga - SP
Janeiro 2001

Eu, Tu, Eles ou Elas (I)

Eu, Tu, Eles ou Elas (I)


O homem nasce e cedo, em campo  vasto,
Do pasto podre logo experimenta;
Remói a estupidez que o alimenta,
Na mente encalha o ruminado pasto.

E Grande orgulho sente. Vê o nefasto
Brotando altivo, de forma agourenta.
Olha pra trás, sente que o orgulho  aumenta:
Outros lhe seguem o desprezível rasto.

E não tem fim a bestialidade
Já que se multiplica a nescidade  
Nesses asnos em homens transformados.

São dezenas, centenas, são  milhões
De burros aprisionados aos grilhões.
São cavalos por jegues exaltados.


Djalma Aquino
Itu SP - Março 2001


Grilhões

Grilhões

Manda quem pode e sobra ignorância
Ao povo rude, que cego, obedece.
A falta de cultura sobe e desce
E flutua com pose de elegância.

E se está oculta essa beligerância,
É conhecido que o poder escarnece
O fraco débil, e o forte vil, refece,
Rumina o asco da própria arrogância.

Nessa redoma é que nos encontramos:
Com pouca audição, visão e voz,
Bem pouco  ouvimos, vemos ou falamos.

Por essa impotência, a razão pouca,
A farta ignorância imposta, atroz,
somos fantoches  dessa gente louca.


Djalma Aquino
S. J. Rio Preto - SP, Fevereiro 2001


sábado, 18 de abril de 2015

Romper da Aurora

Romper da Aurora


É tudo escuro. A vida em desventura,
A escura morte, a espera angustiada
Por outra espera. a visão deturpada
Do escuro. A escura conclusão segura.

Não tão raro, eu sinto a luz escura
A me espreitar no decorrer d estrada
E a esta espreita, logo misturada
A luz da aurora em brilho e em ternura.

Aurora!  Aurora! Instante que separa
A noite escura do dourado dia;
O dia nublado da noite brilhosa.

Pois tudo é claro e, claro, esta luz rara,
Torna compreensível a morte fria,
Faz farta a vida, em vez de pesarosa.


Djalma Aquino

S. J. Rio Preto SP - Fevereiro 2001