Não Sou um Poeta.
Não sou um poeta.
Rejeito a alcunha.
A alkunya rejeito
Como se supunha.
Tenho apenas feito
(isso é o que diria)
Palavras cruzadas,
Palavras juntadas
Aos temas comuns.
Nomes, versos, rimas,
Jamais Poesias.
Quem a alcunha me deu,
Não viu Assaré,
Não leu Patativa,
Não leu patavina,
Comeu muito bacon,
Bacon nunca leu.
Já vi poesias
E músicas, pinturas,
Rabiscos, gravuras..
Já vi poesias
Em belos sorrisos,
Com dentição alva
E em sorrisos belos
Sem dente nenhum.
Já vi poesias
Em olhos azuis
E de cores tantas.
Já vi poesias
Em olhar sem visão.
Já vi poesias
No caráter humano
E em suas fraquezas.
Já viu poesia
Sem ver coração?
Já viu poesia
Sem ter solidão?
Já vi coração
Sem ter solidão,
Sem ter poesia.
Já vi poesias
Em rosas, espinhos,
Veredas, caminhos,
Sonhos, desenganos...
Já vi poesias
Na vida - Alegria;
Na morte - tristeza;
No amor - beleza.
Sonho que sobrou
Livre no meu peito.
A alcunha rejeito,
Poeta não sou.
Já vi poesias
Em todas as coisas,
Em tudo que vi,
Mas não descrevi
Qualquer poesia.
Rimas tenho feito.
Poeta não sou.
A alkunya rejeito.
Djalma Aquino
Taquaritinga/SP, Janeiro 2001.
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