Reflexão.
Em qualquer parte onde um homem viva,
A dúvida perene lhe cerceia:
Qual seja o bem a lhe pulsar na veias;
Qual nódoa má que o coração cativa.
Ou vê-se, ainda, que alguém se esquiva
Do amor latente que seu ser norteia;
Ou foge do ódio insano que permeia
O ardil pulsar que o rancor reaviva.
Mas quem assim vacila, se condena
Sem conhecer, sequer (diz-se porquanto),
A mão suprema que lhe imputou a pena.
E mesmo assim se julga ser superno:
No eterno anseio pelo Reino Santo;
No santo medo de queimar no inferno.
Djalma Aquino
Votorantim/SP, Outubro 1999
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