Saber
O saber é desejo inatingível;
É um sonho profano e sacrossanto
Em cujas vísceras fuçamos tanto,
Na busca eterna do incognoscível.
É tropeçar na fórmula infalível
De se trocar, as cegas, nosso pranto
De ignorantes pelo cego encanto
Dos que julgam saber do impossível.
E como se de nós ele zombasse,
Dá uma face ao bem e a outra face
Oferta ao mal sem qualquer relutância,
Fazendo suscitar o contra-censo
Que me divide e, muitas vezes, penso
Ser a base de toda a ignorância.
Itu/SP
Novembro 2001
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