segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Anjo?

Anjo?

É anjo em carne e assim, inconcebível
Enquanto "ser" e quando "não ser". Desces
Á terra e em fogo de paixões te aqueces;
E vai  aos céus pra ouvires minhas preces.
É mutação frequente, imensa, incrível.

Te fazes perto enquanto tão distante
E tão distante apesar de tão perto;
E jamais tens pra mim olhar desperto;
Se em cárcere te privo, estás liberto.
Por quanto, és "ser" enquanto "ser mutante".

Anjo! Bem vejo quando vens e deitas,
Mas não percebo quando me rejeitas
E te rejeito quando não percebes.

E a carne logo te desassemelhas
Pois partes para o céu ruflando aselhas
E em febril enlevo me recebes.

E crendo ou não eu busco teu conselho;
E em amor ou crença és tu que me aconselhas
Já que é paixão ou fé que na alma arde.

Porquê a herege eu mesmo me assemelho
Se o meu querer a anjo te assemelha.
És anjo enquanto....porquanto...apesar de...

Djalma Aquino
Itu/SP Dezembro 2000

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