Olhar e Sombra
Não lembro ao certo se era noite ou dia...
Sequer recordo a cor do teu cabelo.
Tampouco lembro o que tornava belo
Aquele olhar que mais que a luz luzia
Também não sei dizer o que envolvia
Teu corpo (se o tinhas), ou se de gelo
Eram tuas formas, congelando o apelo
Que em avidez extrema eu te fazia.
Apenas lembro que em mim tu moraste
E que meu coração, um tanto pálido,
Sugado, tu largaste em qualquer canto.
E das sementes que em mim plantaste,
Brotou um sentimento quase esquálido,
Um arrependimento quase santo.
Djalma Aquino
Vargem Grande do Sul/SP, Maio 2001
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