Lembrança
Um dia vi teus olhos. Como não notá-los
Se um eterno brilho de beleza inunda os ares,
Me arremessando, impiedosamente, ao fim dos mares
Onde flutuam as ilusões de quem ouso fitá-los?
E se cativam sagazmente, então como evitá-los
E abrir mão a alegria que me dás ao me olhares?
Seguirei, cego, teus passos, o rumo que tomares,
Para alegre e cego ver-te. E cego ver-me a olhá-los.
Eis que te amar é sonho fútil a ser desfeito;
É destino inalcançável a trepidar no peito;
Veneno que entorpece a alma de quem vive.
Eu sei que um dia, repentino, hei de morrer
Nos braços calmos d manhã, noite ou entardecer,
Lembrando o olhar sereno, o amor que um dia não tive.
Djalma Aquino
Agosto 2003
Essa pode virar música...
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