Humor Negro.
O céu cobriu-se de azul logo cedo
E a luz do sol, total eclipsada,
Permitiu de uma estrela a luz vazada
Qual elação que em vão precede o medo.
E ocorreu tudo como estranho enredo
Que a vida e a morte, em trama combinada,
Fizeram tudo sem consultar nada
E sem saber que a tudo isso eu precedo.
E nada entendo como realidade;
Com sonho nada disso se parece;
Se é início ou fim já não sei mais.
E de baixo e de cima, atônito vejo
A balbúrdia das bocas no cortejo,
Um tropel de interesses pessoais.
E fito o céu azul cheio de estrelas,
Repouso o olhar na mais brilhante e bela
E cobro o equívoco dos meu sonho.
Quero acordar com aquele olhar risonho
Mas a estrela me fita e puxa (aquela)
Para mostrar-me o que de perto eu via.
E um beijo morno me umedece a testa;
E ouço o choro de alegria ou festa;
E ouço risos de dor ou alegria.
E a terra quente a me sujar as calças;
E as mesmas mãos que suspenderam as alças
Me enterram vivo em plena luz do dia.
Djalma Aquino
Itu SP - Janeiro 2001
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