sábado, 18 de abril de 2015

Humor Negro

Humor Negro.


O céu cobriu-se de  azul logo cedo
E a luz do sol,  total eclipsada,
Permitiu de uma estrela a luz vazada
Qual elação que em vão precede  o medo.

E ocorreu tudo como estranho enredo
Que a vida e a morte, em trama combinada,
Fizeram tudo sem consultar nada
E sem saber que a tudo isso eu precedo.

E nada entendo como realidade;
Com sonho nada disso se parece;
Se é início ou fim já  não sei mais.

E de baixo e de cima, atônito vejo
A balbúrdia das bocas no cortejo,
Um tropel de interesses pessoais.

E fito o céu azul cheio de  estrelas,
Repouso o olhar na mais brilhante e bela
E cobro o equívoco dos meu sonho.

Quero acordar com aquele olhar risonho
Mas a  estrela me fita e puxa (aquela)
Para mostrar-me o que de perto eu via.

E um beijo morno me umedece a testa;
E ouço o choro de alegria ou festa;
E ouço risos de dor ou alegria.

E a terra quente a me sujar as calças;
E as mesmas mãos que suspenderam as alças
Me enterram vivo em plena luz do dia.


Djalma Aquino

Itu SP - Janeiro 2001

Confissão de um Amigo

Confissão de um Amigo


Esse amor que sereno acolhe agora
A dor no velho peito e não reprime
A falta cometida (tal qual crime)
É o bem maior que tenho desde outrora.

Nem mesmo o pranto morno, a alma que chora,
Cala o arrependimento. Não me exime
Da culpa avessa, impura que se exprime...
E o perdão é capaz de vir pra fora.

Eis essa deusa humana que me chama
De amor. Diva divina que inflama
A esperança que nunca terá fim.

E Deus, na sua infinita magnitude,
Ainda lhe fez com uma única virtude:
Com um amor pros filhos e outro pra mim.

Djalma Aquino
Ribeirão Preto - SP, Maio 2002






Lembrança

Lembrança


Um dia vi teus olhos. Como não notá-los
Se um eterno brilho de beleza inunda os ares,
Me arremessando, impiedosamente, ao fim dos mares
Onde flutuam as ilusões de quem ouso fitá-los?

E se cativam sagazmente, então como evitá-los
E abrir mão a alegria que me dás ao me olhares?
Seguirei, cego, teus passos, o rumo que tomares,
Para alegre e cego ver-te. E cego ver-me a olhá-los.

Eis que te amar é sonho fútil a ser desfeito;
É destino inalcançável a trepidar no peito;
Veneno que entorpece a alma de quem vive.

Eu sei que um dia, repentino, hei de morrer
Nos braços calmos d manhã, noite ou entardecer,
Lembrando o olhar sereno, o amor que um dia não tive.


Djalma Aquino
Agosto 2003



Incógnita

Incógnita

Algo atrai e trai como diamante falso
Cortando nosso coração como flecha em veneno.
Fogo que não vimos e sentimos vivo.
Como a beleza de um pássaro sem seu canto.
Brisa, rosa, amor, poesia...
Enfim, tudo é pranto.
Tudo é resumo da vida.
Poesia, ferida, espanto...
Mira aquele canto!
Tudo que vejo é desejo.
E sem exagero, vejo
Que tudo quer ser santo
Como o Manto Santo da Virgem.
Como semente: Origem
De tudo que venha a existir.
Por presumir certeza,
A beleza tem que ter  forma mera,
esfera que controla o mundo,
Fundo ou raso.
Caso haja forma no mundo,
É certeza 
Que haja beleza
Num conjunto infinito,
Tão mero quanto o Amor de Deus.

Djalma Aquino
Itu SP - Outubro 2001 

Acho Que Tenho Certeza

Acho Que Tenho Certeza

Meus braços, minhas pernas, minhas mãos e mente,
O cérebro que é tudo, o espírito, os pés, o fôlego,
O perispírito, a razão, o ego e o infra ego:
São meus! São meus! É  o que dizemos comumente.
E as partes ainda não notadas, ainda ausentes,
Também refletem a possessão. refletem o apego
A um raciocínio falso, sórdido, sujo e cego,
Baseado em uma razão falsa, sórdida e cega igualmente.
São meus! "Meus" de quem, cara pálida? A quem pertencem
Estas partes  divididas quase aleatoriamente?
Como comprovar? Pode ser dividido o intelecto?
Alguém tem certeza? A dúvida é necessária
Ou apenas determinar de forma arbitrária?
Eu fico com meu juízo e você com o seu?
Se dividido o corpo, as partes nos convencem
E optamos, assim, pela certeza imediatamente.
Mas sobre o intelecto (acima da linha da razão),
Não podemos, com certeza, afirmar nada.
Contudo, se observados pelo único e certo aspecto,
tudo que existe, junto ou separadamente,
Constitui unicamente um todo que sou eu.


Djalma Aquino
Itu SP - Março 1999





sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Sujeito Indeterminado.

Sujeito indeterminado.

Disseram-me: São psicografados
Teus escritos. De espíritos...Do além mundo...
De vidas que se vertem e, num segundo,
Se juntam aos teus versos externados.

Ora! Por mais que estereotipado,
Incapaz, inativo, vagabundo,
Não é meu cérebro assim. tão infecundo
Que não possa escrever o que é pensado.

Se chamam de poesia esses escritos
Que vêm em luz, em sopros, em conflitos
De magníficas cores, quadro e som,

Pra mim é presunção ou sacrilégio
Dizer de outro este privilégio
Congênito que Deus me deu: O Dom.


Djalma Aquino
Marília SP, Março 2001

(IN) Decisão

(IN) Decisão

Não quero mais te ver. Pouco me importa
As poucas vezes que amei te buscando...
As tantas vezes que, te encontrando,
Vi-me sem vida, com a alma quase morta.

Juro não mais te ver. Que se abra a porta
Do quarto escuro onde estou chorando;
Se mostre ao mundo de que forma e quando
A dor de ser sozinho esta alma corta.

Jurei não mais te ver...Mas neste instante,
Minha alma, num ímpeto alucinante,
Vacila e novamente acha teu colo.

Desperto! E neste mar de solidão,
Naufraga um amargurado coração
Que aceita a ilusão como consolo.


Djalma Aquino
Marília SP Março 2001